Giovanna Nucci e a arte que traz o sonho

Giovanna revisa provas de suas foto
A catarinense Giovanna Nucci (45) há tempos adotou São Paulo. Vinda de Florianópolis cerca de 20 anos atrás, tem um sentimento forte por tudo o que é urbano, portanto em seu ateliê na Vila Madalena sente-se em casa.
Depois de esposa, mãe e empresária (teve sua própria marca de biquínis em sua terra natal), Giovanna decidiu, aos 35 anos, fazer faculdade de fotografia, curso que finalizou com especialização em Arte e Cultura.
Vestígios
Desde então, Giovanna trabalhou com retratos, moda e publicidade, mas nos últimos dois anos focou seu trabalho na “Fine Art”. Balanço, equilíbrio e formas estão presentes na obra da artista que busca sempre retratar a beleza: “Não acho que a arte deva contestar, denunciar”, diz ela olhando para suas imagens espalhadas pela mesa e completa: “Busco a arte que traga sonho, descanso”.
O interesse por paisagens urbanas levou sua arte a versar pelos vestígios deixados pelo homem, tendo a figura humana como secundária. A série de livros “O escritor e a cidade” (Companhia das Letras) que traz relatos nos quais a cidade tem o papel central, tocou a fotógrafa: “O livro ‘O Flâneur’ de Edmund White em especial foi pra mim uma grande inspiração”, diz ela, que em seu trabalho mostra os lugares por onde o homem passou e o que ele deixou para trás.
Poesia em cores na cidade de São Paulo
Seu fascínio por São Paulo tem muitas nuances. Em uma de suas últimas coleções, “Pares Díspares”, ela traça um paralelo de semelhanças que integram e ao mesmo tempo opõem imagens de São Paulo e do Rio de Janeiro. O seu trabalho até hoje mais vendido é um registro feito na praia de Ipanema.
Mas os espaços da capital paulista são aqueles pelos quais ela trafega todos os dias e é ali que ela se inspira, dia após dia. “São Paulo para muitos é cinza, mas para mim tem mil cores”.
São Paulo através do olhar de Giovanna é bela. “Você tem que se permitir conhecer a cidade”, explica. Comenta ainda que ao passear pela metrópole é possível se deparar com formas e contornos pouco vistos em outros lugares. “As pessoas não se dão conta, mas nem tudo é pago aqui” , conta ela, sugerindo que para aqueles que querem realmente conhecer a cidade, vale a pena pegar um ônibus, descer no centro e simplesmente caminhar, observar. Suas obras não mostram aquilo que fere os olhos: “Quero enaltecer o que vejo de bom”.
Interatividade
Nos últimos quatro anos a artista madurou o projeto de um livro que mostra a sua visão da cidade combinada com a do leitor-observador. “Eu me dei conta nas minhas viagens que ao comprar um livro sobre o lugar visitado, quando eu voltava para a casa, as fotos que eu tinha não eram daquilo que eu tinha visto”, relembra a artista, que no próximo semestre lança o livro-álbum “São Paulo- Cada um conta a sua história”.
Trata-se de uma iniciativa inusitada, na qual aqueles que visitam a cidade encontram uma lembrança dos lugares visitados na poesia das imagens de Giovanna, mas também tem um espaço no livro onde podem colocar os seus próprios registros. Neste livro, que também é álbum, o leitor se insere no contexto do lugar visitado. O projeto começa com São Paulo, adotada pela criadora, e seguirá com registros de outras cidades brasileiras.
Para ver a poesia registrada por seus olhos, visite a galeria da artista em nossa exposição virtual.










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