Marcelo Tinoco: “Eu eternizo a síntese das coisas”

Fernanda Buschmann em 22/05/10

Moda, publicidade e arte são universos pelos quais o fotógrafo Marcelo Tinoco (42) sempre circulou. Porém, seu trabalho caminha cada vez com mais intensidade em direção ao registro documental.

Essa maneira de fazer arte está em suas raízes. Sua mãe, a fotógrafa Dulce Soares, documentou diversos bairros da cidade de São Paulo e foi assim que o filho cultivou o interesse pela fotografia.

Arte viva

As cores, as estruturas, enfim a “arte viva” que existe na Vila Madalena inspiram esse artista afincado no bairro. “Não pretendo sair nunca daqui”, diz ele confirmando seu apego ao lugar.

Entretanto, viajando pelo mundo, Marcelo se deparou com muitas imagens não menos inspiradoras, que acabaram definindo a linha de trabalho que segue hoje. É o caso de sua experiência com a cidade de Nova Iorque, numa viagem que fez em 2005. Ao visitar o Museu de História Natural ficou impressionado com os dioramas (disposição tridimensional de elementos com uma imagem de fundo formando uma cena) lá expostos e a expressividade das histórias que estes contam aos visitantes.

“A criação desses cenários tridimensionais me marcou muito”, conta Marcelo, que a partir de então, começou a pensar numa forma de realizar um documento da humanidade de maneira que o ser humano fosse parte de um panorama organizado por diversas fotos, produzindo o efeito diorama.

A partir de 2006, o fotógrafo começou a fragmentar suas fotos em pedaços que em seguida eram emendados, criando um efeito bidimensional formado por vários planos.  Com um trabalho que leva de duas a três semanas manipulando cada foto, Marcelo faz uma espécie de releitura, um resumo de tudo o que vê.

Cada foto sua tem uma história onde diversos elementos se misturam. “Você caminha por uma rua no Brooklin (bairro de Nova Iorque) que poderia estar na Vila Madalena, por exemplo. Os locais combinam entre si e no final é o mesmo lugar”, reflete Marcelo, para quem o mundo não é assim tão pequeno, nem tão diferente: “Somos todos iguais, com necessidades iguais”.

Imagem: Fernanda Buschmann

Marcelo em frente à duas obras da série "Fotorama".

Fugir do real

Nesse processo, Marcelo sai do real aparente, criando outra realidade. “É esperto sintetizar as imagens mais marcantes, e eu eternizo a síntese delas”, indica o fotógrafo, que faz um trabalho minucioso de mixagens à prova de equívocos. “Ninguém jamais descobriu um erro” conta ele referindo-se ao processo digital da pós-produção, que ao sobrepor imagens cria a impressão de que se está diante de uma imagem gerada por photoshop (programa de edição de imagens), mas todo e qualquer elemento de suas fotos seja uma pessoa, um prédio ou a própria grama vêm de fotografias suas: “É tudo absolutamente real”.

Essa linguagem criada por Marcelo deu origem a série “Fotorama” (em referência aos dioramas) que ele mesmo define como um “documento poético” da realidade e até mesmo uma utopia.

Marcelo acredita que “a arte leva à arte”. Visitar o mundo, conhecer diferentes lugares e pessoas, descobrir museus e seus artistas do passado e do presente, levaram o fotógrafo a buscar um outro olhar, uma nova maneira de enxergar. Ele comparte agora essa visão com todos.

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Comentários (2)
Ana Maria Tinoco 27 de maio de 2010 às 23:19

Marcelo,
Que o seu olhar seja sempre eterno, apesar da impermanência da vida. A thing of beauty is a joy forever. Beijos, Aninha.

Cristiane Simão 29 de maio de 2010 às 11:14

Marcelo,
Fico muito contente por poder compartilhar o resultado de um trabalho tão sensível como esse. Parabéns pela ideia e pela busca da perfeição com que você tratou as fotos.
Cristiane