“Móveis em Madeira Reutilizada” de Carlos Motta
Exposição e livro mostram o homem e o artista.
A partir do próximo dia 9 de junho, o Museu da Casa Brasileira recebe a exposição “Móveis em Madeira Reutilizada”, um conjunto de peças únicas feitas a partir de material em geral de demolição, que se apresentam agora com uma nova concepção, de “acabamento e estética sofisticados” como define seu criador, Carlos Motta.

Entrada do ateliê Carlos Motta, na Vila Madalena.
Arquiteto e designer, ao longo de 40 anos Carlos manteve seu trabalho em perfeita comunhão com a natureza, respeitando e valorizando cada um de seus frutos, algo que considera fundamental. Desde sempre, segue a máxima: reduzir, reciclar e reutilizar – sem desmerecer a qualidade e nobreza da matéria prima.
Sobre a série que será agora exposta, considera que são “madeiras que já cumpriram uma função muito legal, passando por momentos super nobres” e agora se reinventam, tomando outra forma.
Entre o interesse pela marcenaria e pela natureza que o rodeava, este surfista inveterado foi tecendo uma carreira sólida que ultrapassa a própria arquitetura e o design, por isso, seria simplista demais qualificá-lo apenas nesses termos. Carlos Motta é muito mais.
O livro que acompanha a exposição
Prestes a cumprir 58 anos, Carlos Motta entende que somente agora atingiu a verdadeira maturidade para entender melhor a vida e o sofrimento humano. A produção de peças tão especiais para o artista e a história que cada pedaço de madeira carrega, fizeram com que ele repensasse a sua própria existência e assim, nasceu um livro: “Carlos Motta e a Vida”.

Carlos Motta. Satisfação na maturidade.
Concebido por Paulo Lima, editor da Revista Trip e íntimo amigo de Motta, o livro conta a vida e a obra deste homem de maneira profunda, como uma celebração da vida, onde todas as situações vividas são relembradas por amigos, família e também pelo homenageado, tecendo uma teia por onde passam suas palavras e as daqueles que estiveram ao seu lado.
Os olhos de Carlos brilham ao falar de tal livro, que teve seus textos organizados pelo jornalista Otávio Rodrigues e design gráfico de Rafic Farah, e leva dentro, além de fotos de arquivo pessoal, uma seleção de imagens em preto e branco feitas por Fernando Laszlo das peças que acompanham a exposição que se inaugura.
O inexorável sofrimento humano

Uma visão geral do espaço e peças do designer.
Carlos considera que “não se pode ficar sossegado vendo tantas agruras no mundo” e é justamente isso que impulsiona sua criatividade. A vida no mundo moderno, e como não, na grande cidade de São Paulo, é cheia de contrastes, de maneira que algo negativo pode ser transformado em positivo, através da arte. “A ganância apareceu de maneira muito exaltada. Acho que a organização monetarista é perfeita – trocar coisas por moeda – mas pra quem é ‘dinheirista’… exagerou”, diz Carlos, para concluir: “O que manda aqui em São Paulo é o poder do dinheiro”.
Por outro lado, ele mesmo observa que o tal “caos” da cidade gera manifestações criativas de maneira muito espontânea. “O ser humano é um transformador inquieto e vai se manifestar da maneira que conseguir: mídias eletrônicas, graffiti, literatura, pancada, terrorismo… cada um encontra seu caminho”.

Funcionários trabalham nas peças desenvolvidas por Carlos, em seu ateliê.
Espaços para se manifestar
A exposição foi pensada originalmente para uma galeria de arte em Nova Iorque- Espasso , especializada em móveis de design brasileiro-, que propôs uma mostra com móveis com material reciclado. Mas quando Carlos começou a trabalhar na ideia, percebeu que não fazia sentido começar por lá, e a partir de então foi atrás do espaço em São Paulo.
Quando perguntado se a abertura do mercado brasileiro com relação à arte é menor que em outros lugares, Carlos é categórico na negativa e afirma que aqui as pessoas dão muito valor à arte, mas pondera: “Falta comunicação, faltam lugares para as pessoas poderem expor o que é feito no cotidiano, tanto que há invasão dos muros”. E lamenta que a arte de rua que acontece espontânea, seja barrada pela “hierarquia e pelos processos complicados” que se dão no âmbito profissional.
Carlos Motta pode estar numa praia deserta da Costa Rica, em seu ateliê na Vila Madalena, ou numa elegante galeria de arte do bairro Tribeca em Nova Iorque. Sua arte dialoga com todos os espaços e em todos os contextos. Uma exposição e um livro inauguram este mês pra mostrar isso.
Serviço
| O Que: | Exposição “Moveis em Madeira Reutilizada” |
| Quando: |
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| Quanto: | R$ 4 (Grátis aos domingos e feriados) |
| Onde: | Museu da Casa Brasileira |
| Endereço: | Av Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Europa, São Paulo - SP. Tel: 3032-3727. |
As informações acima são de responsabilidade do estabelecimento e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.









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