“SP reinventa sua Arte Pública”, por Baixo Ribeiro

da Redação em 23/07/10

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Baixo Ribeiro é curador e fundador da Choque Cultural, uma galeria de arte urbana e contemporânea localizada na região de Pinheiros. A sua principal missão é aproximar o público jovem das artes plásticas, incentivando o colecionismo, produzindo conhecimento e promovendo intercâmbios.
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O graffiti já tem uma história de mais de quarenta anos e algumas características típicas mostram importantes inovações trazidas por esse movimento artístico contemporâneo – a participação jovem hiperativa, o aprendizado natural e ao ar livre, uma grande difusão de conhecimento através da Internet e, principalmente, uma envolvente reaproximação das artes plásticas com o grande público.

Há muito tempo, a arte “culta” vem se afastando da pessoa comum, detida em reflexões excessivamente intelectualizadas e numa lógica de mercado que torna o acesso às melhores produções, cada vez mais difícil e caro. As gerações de jovens que resolveram intervir diretamente no ambiente urbano trouxeram de volta a arte para a nossa vida real.

A arte urbana passa por um processo de amadurecimento nesses últimos anos. Esse é um fenômeno global e São Paulo é um dos epicentros dos eventos que indicam esse amadurecimento. O surgimento de grandes nomes, como são Osgemeos, Titi Freak e Zezão e Stephan Doitschinoff, assim como o reconhecimento nas mais importantes instâncias, como as grandes feiras de arte, Bienais e principais museus internacionais, transformou São Paulo numa das mecas mundiais sobre todo esse assunto. Reforçadas pelo sucesso de crítica e público das últimas grandes exposições realizadas em 2009: mais de 70 mil visitantes à exposição d’Osgemeos na FAAP e mais de 135 mil visitas à exposição da Choque Cultural no MASP.

O futuro desse processo deverá ser uma arte pública mais forte e importante na nossa cidade, com a inclusão de mais e mais artistas contemporâneos, vindos de todas as partes do mundo. Num futuro próximo, ao passear pelas nossas ruas, veremos mais e melhores produções de obras públicas – um verdadeiro museu de arte a céu aberto. Enfim, acredito que estamos a caminho de construir uma cidade mais artística, bonita e atraente, tanto do ponto de vista estético quanto do turístico.

Certamente o interesse que o Brasil atual está despertando no mundo é uma mola propulsora para maiores avanços nessa área, assim como são os próximos eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Há um consenso de que devemos aproveitar toda a exposição que teremos na mídia internacional para mostrar a nossa cultura, que vai bem além do futebol.

É o momento para melhorarmos a nossa imagem, que ainda hoje está muito vinculada às bundas, queimadas e bueiros que explodem. Nosso sucesso futuro depende do modo como queremos ser percebidos pelo mundo e a arte é o instrumento mais eficaz para mostrar nossa verdadeira alma, como mostraram bem a Bossa Nova, o Cinema Novo e a Tropicália na sua época.

Se você também quer participar desta sessão, escreva-nos (vilamundo@aprendiz.org.br) com sugestões de temas.

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