Fotografia + ideologia = Galeria Experiência

Diego, Davi, Juliana e Daniel: equipe da Galeria Experiência.
A Galeria Experiência é um coletivo constituído por quatro jovens amigos – Daniel Gutierrez, Davi Boarato, Diego Lajst e Juliana Nadin – que têm objetivos em comum. São fotógrafos, paulistanos, não gostam de escritório e acreditam que não existe separação entre viver e trabalhar. Entendem que juntos é possível aprender mais, experimentar mais e ter muito mais liberdade.
Daniel, Davi e Ju são amigos desde criança, estudaram nos mesmos colégios e cresceram juntos. Daniel conheceu Diego depois de grande, no mercado de trabalho, e o apresentou ao grupo. Apesar de não morarem na mesma casa, todos vivem juntos. Ser um coletivo foi algo natural.
A gente acredita muito no conceito de não separar a vida do trabalho. Não existe ‘agora estou trabalhando, agora estou vivendo’. Pra gente é tudo a mesma coisa, é ‘agora eu vou viver’. – Daniel
No começo eram Daniel e Davi. Trabalhavam juntos, mas nenhum dos dois era chefe do outro. Não havia funções definidas. “A gente já fazia tudo. (…) Quando o Diego e a Ju entraram, isso se tornou mais forte. Eram dois pensando, mudou para quatro”, conta Daniel. Eles participaram certa vez de um encontro de coletivos e, foi então que se perceberam como um, “só não tínhamos dado esse nome”. Davi conta que a denominação “coletivo” é só para facilitar o entendimento. “Coletivo? Ah, tá bom. Já sei o que é, um grupo que não tem hierarquia e que trabalha junto”.
| daniel gutierrez - Imagem: Galeria Experiência | |
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“Outro dia um amigo nosso que é um cara da Cia. (de fotos) tava chamando a gente para uma história lá e nos chamou de trupe multimídia ao invés de coletivo. Eu (Davi) achei muito mais legal”.
Começaram a fazer vários trabalhos em grupo, sempre transitando pela fotografia. Cada dia, a casa de um servia como base. Resolveram fazer uma experiência e foram nove meses pulando de casa em casa, até que começou a atrapalhar. Então, alugaram um apartamento na rua Girassol, aqui na Vila Madalena, e o Davi foi morar lá.
A nossa principal crença é fazer o que a gente acredita. Ponto final. Não existe regra. Pra nada. Muito menos num mercado comercial ou artístico. A gente faz o que a gente quer. E foi assim que conseguimos fazer os nossos trabalhos serem legais. A gente acorda cada dia e encontra os amigos. É fazer com que cada dia seja um sábado. – Davi
| davi boarato – Imagem: Galeria Experiência | |
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Questão Autoral
“Todos os trabalhos desenvolvidos pelo grupo são assinados como ‘Galeria Experiência’. Para eles, não importa muito quem clicou a foto. Discutir a autoria de uma fotografia é algo bastante peculiar. Na pintura, tem o cara que estava lá fazendo os gestos, que pode ser reconhecido como quem pintou. No caso da fotografia, a câmera é um processo técnico. Você aperta o botão, mas também pode colocar um timmer, e ninguém tirou a foto. Você também pode colocar a câmera para tirar foto em momentos aleatórios. Ou ainda dar a câmera na mão de outra pessoa e pedir que ela tire uma foto de determinada árvore. Você quem escolheu a pessoa, escolheu a árvore, escolheu o momento e fez a pessoa clicar. A foto é da pessoa? Eu acho que não”, contam.
Para Diego, o momento registrado pela fotografia é construído de forma coletiva. A criação da foto vem no click e está no objeto na frente do click também. “O click é praticamente o fim da foto, é um detalhe”, conclui Daniel.
| juliana nadin - Imagem: Galeria Experiência | |
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Amigos que gostam dos mesmos assuntos
Eles não têm tido muito tempo para participar de cursos. Davi tem como opção não fazê-los. Mas estudam lendo e debatendo uns com os outros. “Estudar faz parte do viver”. Acompanham discussões sobre imagem, cinema e fotografia, na internet. “Tem blogs fodidos, hoje em dia, aqui no Brasil. A gente acompanha, participa das discussões e traz pro coletivo. Tem um monte de discussão contemporânea por causa da fotografia e do cinema digital”, explica Diego.
Daniel conta que muitas vezes “o estudo vem da necessidade. Exemplo: a gente tem um trabalho que a gente vai precisar usar o microfone tal. Vamos lá e estudamos tecnicamente”.
A gente nunca tinha feito trabalho pra televisão. Fizemos esse primeiro trabalho gigante (que foi o comercial do SWU). Uma semana de trabalho foi como seis meses de curso de Rádio e TV. A gente fica aqui enfurnado, três noites fazendo uma história. Fomos para um estúdio fazer a remasterização e a exportação, com o trabalho que a gente mexeu vírgula por vírgula. O aprendizado é muito mais rápido e maior assim. – Davi
Juliana conta que o grupo “preza muito em aprender pela experiência. Começou com a ideia de montar a Galeria. A primeira conversa foi exatamente isso, que cada trabalho tinha que ser uma experiência, tanto pra gente quanto pra quem vai ver”.
| diego lasjt - Imagem: Galeria Experiência | |
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Alguns projetos e trabalhos
A Galeria Experiência atua em vários mercados: jornalismo, publicidade, foto, vídeo, moda, arte… Eles acreditam que todo trabalho tem que ser gostoso. Se não for divertido, que seja pelo menos interessante e fornecedor de experiências de aprendizado. “Ele tem que ser bom no ato, senão a gente não fecha. Com carinho, amor e explicando o porquê, indicamos uma pessoa que seja adequada para aquele trabalho”, afirma Davi.
Comercial do SWU – É um vídeo de divulgação do festival de música SWU, que acontecerá em outubro na cidade de Itu, interior de São Paulo. O comercial fala sobre sustentabilidade e apresenta imagens das ruas, ligadas ao tema. O vídeo está sendo veiculado na Band, na Globo e na MTV.
We-Music – Um documentário que levanta a discussão de como a internet tem alterado a rota da música independente no Brasil, tanto na produção, quanto na distribuição e consumo. É um projeto colaborativo produzido pela Remix Social Ideas, Revista Pix e Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), contando com a participação de oito artistas com estilos bem distintos que produziram tracks inéditas: Killer on the Dancefloor e Thiago Pethit, Database e Holger, Xis e Chernobyl, Pristine Blusters e Firefriend. Todo o processo criativo e de produção resultou em um documentário, dirigido e produzido pela Galeria Experiência.
Mapas, Tesouros e Piratas – Uma intervenção coletiva com curadoria da Galeria Vermelho, que será realizada em outubro no Itaú Cultural. A Galeria Experiência integra o grupo d’Os Piratas, que tem curadoria da Cia. de Fotos. Além deles, fazem parte desse trabalho um cineasta, um fotógrafo de arte e um DJ.
A entrada no mundo da arte é algo que estão construindo há algum tempo e que agora está começando a se consolidar. Outras duas exposições estão em negociação.
Um, dois, três e já – Vídeos livres nos quais convidam pessoas a falar sobre a infância. Estão gravando vários, mas ainda não definiram se isso resultará em um produto final. Já são cinco vídeos, que podem ser vistos no canal youtube.com/galeriaexperiencia.
Fuga nº 1 – Vídeo breve estrelado pelo filho de um amigo do Davi. Colocaram o menino em lugares que uma criança de um ano não poderia estar. Tudo na região da Avenida Paulista. “A gente fez uma coisa segura, mas no filme fica muito psicodélico. É uma criança correndo vários riscos. Bonitinha, dando risada mas com uma música triste por trás. O vídeo é o reflexo de uma vontade. A gente sai, faz, edita e publica”, conta Davi.
Liberdade
Daniel conta que muita gente acha que nos coletivos o indivíduo é deixado de lado, mas eles acreditam no contrário. “Dentro do coletivo o indivíduo tem que ser muito forte, mais forte do que sozinho. Porque sozinho não tem ninguém falando ‘tá errado’ ou ‘não concordo’.”
Atualmente nenhum dos integrantes tem projetos individuais. Estão com a energia focada na Galeria, mas há total liberdade para desenvolver trabalhos fora do coletivo. Quando surge alguma iniciativa independente, acabam assinando como Galeria. Davi explica que “mesmo quando tem algum trabalho individual (que são raros), atrás de você tem toda a carga do coletivo”.
Sobre a Vila Madá
Para Davi, o bairro parece ser fora de São Paulo, ter outro ritmo. A Ju não gostava dos bares da Vila. Para ela, eles criaram uma espécie de estereótipo. Diego conta que até dez anos atrás a Vila Madalena era muito legal. Mas começou a surgir gente diferente e muitos dos boêmios acabaram indo embora. Antes era bom, barato e vazio. Hoje, além da lotação dos bares e dos altos preços, tem muito trânsito.
E é em função do trânsito que estão todos sobre duas rodas. Na garagem da Galeria tem três bicicletas e uma mobilete. Daniel conta que não tem mais carro, e isso mudou demais sua relação com a cidade. Agora utiliza apenas transporte público e bicicleta. Em casos coletivos, táxi. Segundo ele, a cidade é agradável de se viver sem carro, principalmente se você mora perto do seu trabalho.
Mais sobre a galeria experiência em galeriaexperiencia.com.br e flickr.com/galeriaexperiencia.






















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