Jorge Furtado indica a HQ Jimmy Corrigan
Jorge Furtado é escritor e cineasta. Foi um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre. Alcançou grande sucesso de público e crítica com os curtas “O dia em que Dorival encarou a guarda” (1986), “Barbosa” (1988) e “Ilha das Flores” (1989), com os quais recebeu vários prêmios nacionais e internacionais. A partir de 1990 passou a trabalhar como roteirista para a TV Globo, em geral associado ao núcleo de Guel Arraes, com o qual escreveu e eventualmente dirigiu várias minisséries e dezenas de especiais.
Em 2002 estreou como diretor de longa-metragens, tendo chegado ao grande público com seu segundo longa, “O homem que copiava“. Como escritor se destacam o livro de contos “Meu tio matou um cara e outras histórias”, o romance “Trabalhos de amor perdidos” e a tradução de “Aventuras de Alice no país das maravilhas” de Lewis Carrol. Recentemente publicou o livro “Sonetos de Shakespeare” em que reuniu 25 amigos para criarem traduções diferentes das obras do dramaturgo inglês.
No dia 24 de novembro, no Centro Cultural B_arco, aconteceu a tradicional ressaca da Balada Literária. Jorge Furtado participou de uma conversa com o escritor Marcelino Freire e contou que lê muito, desde os seis anos. Segundo ele, seu pai era professor de filosofia e sociologia, e mantinha uma biblioteca em casa. Tem interesse por todo tipo de literatura, em especial por aventuras e livros de filosofia. Além disso, sempre gostou de histórias em quadrinhos. Gostaria de trabalhar com isso, mas desenhava mal, então resolveu trabalhar com cinema, que mistura imagem e texto. Jorge Furtado indicou aos leitores do VilaMundo a HQ “Jimmy Corrigan – o menino mais esperto do mundo”.
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Jimmy Corrigan – O menino mais esperto do mundo, de Chris Ware, foi lançado em em 2000 nos Estados Unidos. É considerada uma das mais importantes histórias em quadrinhos de toda a história das HQs. Isso se deve a um enredo sofisticado e parcialmente autobiográfico de temática adulta e ao estilo gráfico inconfundível de Chris Ware, caracterizado por seu detalhismo, por sua inspiração na publicidade e no design gráfico americano do início do século XX, por sua estrutura cronológica intrincada e também pela exploração ousada das possibilidades narrativas dos quadrinhos.
Jimmy Corrigan, protagonista da HQ, é um tímido e solitário homem de meia-idade que trabalha numa repartição e vive reprimido pela mãe carente e dominadora. A trama principal tem início quando Jimmy recebe uma carta do pai que nunca conheceu e viaja para encontrá-lo. Seu contato com o pai, o avô e uma meia-irmã adotiva desdobra-se numa série de episódios constrangedores e claustrofóbicos que parecem não deixar qualquer espaço para a aproximação afetiva. Outras tramas desenvolvem-se em paralelo na forma de flashbacks, sonhos e delírios motivados pela fértil imaginação de Jimmy em suas duas versões, criança e adulto.
Mas é o relato da dura infância do avô de Jimmy que se impõe gradualmente como o segundo eixo do livro. A graphic novel configura um retrato amargo da prisão da timidez e aborda o significado dos laços de sangue e da vida em família com uma franqueza livre de qualquer idealização. Ao mesmo tempo, a fuga íntima da imaginação e a poesia dos pequenos detalhes percorrem essas páginas fazendo lembrar ao protagonista, e ao leitor, que a redenção pode e tende a surgir quando menos se espera.
Leia, a seguir, um trecho da HQ.
Continua… Para ler a história completa, procure uma biblioteca ou os diversos lugares que vendem livros na Vila Madalena.




















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