Daniela França: “Um artigo fino para cavalheiros”

A chef Daniela França Pinto.
Aos 19 anos, ela já tinha um filho. Aos 22 já investia em um buffet, hoje um dos melhores da cidade. Aos 35 é proprietária e chef de dois restaurantes na Vila Madalena.
Daniela França Pinto tem um perfil sustentável, mudou-se para o bairro assim que abriu seu primeiro restaurante, especializado em cozinha francesa e contemporânea, o Lola Bistrot. “Naquela época só havia bares, as pessoas achavam que eu era louca em investir em alta gastronomia”, diz Daniela. Ela não tem carro, adora andar e sempre dá preferência ao metrô e ao trem, até mesmo quando vai para o buffet Vivi Barros, em Santo Amaro, onde é consultora permanente.
Em abril, a chef inaugurou o espaço gourmet Marcelino Pano y Vino, que recebe pães orgânicos de fornecedores do bairro, para evitar a poluição através do carbono dos veículos de entrega e economizar com o preço de transporte de mercadorias.
“Sempre pensei: por que na Europa existem tantos pães gostosos e uma boa taça de vinho e aqui a gente tem que comer cachorro quente na madruga?”, brinca.
O projeto esbarrou nas leis e o ônibus não aconteceu. Entretanto, o Marcelino tem endereço fixo e segundo Daniela é especializado em baixa-gastronomia, oferece comida gostosa, sem pretensão, com forno a lenha e receitas da avó. “É um lugar para sair de barriga cheia e coração quentinho”, diz a proprietária.
Sua rotina se divide entre o buffet, para onde ela vai cerca de quatro vezes na semana, o Lola Bistrot e o Marcelino Pano y Vino, para os quais se dedica em dias intercalados até altas horas da noite. São 16 horas diárias, sem folga. “Sou meio psicótica por conta do meu trabalho”, diz.
Vida em torno da cozinha
A cozinha sempre esteve presente em sua vida. Segundo Daniela, o pai, a mãe e as avós – uma portuguesa e outra goiana – eram excelentes cozinheiros.
“Meu pai acreditava que na mesa não se envelhece”, por isso a família que tinha sete irmãs passava horas comendo. A curiosa prole era motivo de piada na família, que dizia que o pai era um “fabricante de artigos finos para cavalheiros” – pois só fazia mulher.
A expertise para a cozinha internacional vem das viagens, mas os maiores responsáveis pelo seu sucesso são os livros. “Estudo diariamente e tenho muitos livros, compro todas as revistas e sempre escrevo sobre gastronomia”, diz a chef.
Precoce, Daniela teve que se virar muito cedo. Aos 18 anos perdeu a mãe e o pai há seis anos. “Não tinha nada de grana quando abri o Lola. Angariei móveis e louças dos avós e da feira da Benedito Calixto e do Bixiga. Não tive computador também por cinco anos, fazia as contas na mão.”
Ela confessa que tem um problema com a cibernética e que está fazendo um curso de plataformas digitais com a sua assessora, para aprender o que é Twitter, Facebook, também “para aprender a não xingar as pessoas pela internet”, brinca.

Daniela e os filhos Lucca e Luzia.
O marido, com quem ela teve a filha Luzia Morena, cinco anos, era seu professor de circo, numa escola de artes circenses da Vila Madalena. Atualmente Cesar Lopes tem sua própria trupe de circo chamada “Na Macaca”.
“Somos uma família muito típica da Vila Madalena. Meus filhos estudam numa escola alternativa, nós não temos carro, eu estudei no Max – Escola Estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos – e gostamos do bairro como ele é”, conta.
O programa predileto da família é comer – todo final de semana comem pastel de feira! Além disso, costumam passear no parque Villa-Lobos, na Livraria da Vila, vão ao cinema e frequentam muitos shows, por conta do marido e dos cunhados, que vivem de circo e teatro.
Entre os futuros projetos de Daniela estão trabalhar menos e evitar que a filha – que já adora a cozinha – vire cozinheira. “Prefiro resolver este carma sozinha”, brinca.









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