Felipe Gomide: o jovem que faz o que ama
Conheça o perfil do produtor, músico e empresário Felipe Gomide.
A busca pelo prazer em trabalhar com o que gosta fez com que Felipe Gomide, de apenas 25 anos, abandonasse os diplomas de direito e de jornalismo. Há seis anos tocando bateria e gerindo seu grupo, Família Gangsters, Felipe descobriu no prazer em viajar um poderoso aliado para montar sua empresa de turismo, a Gangstoor – Ecomusiculturismo, pela qual leva outros jovens da mesma faixa etária para conhecer paisagens estonteantes e comunidades caiçaras ao longo da costa brasileira, bem como festivais de arte e cultura no interior do país, tudo a preços módicos.
Foram estas viagens que abriram um terceiro horizonte para o músico. Na Ilha do Cardoso, litoral sul de São Paulo, Felipe descobriu na comunidade local o Fandango Caiçara, estilo musical típico executado com instrumentos artesanais rústicos como a rabeca e a viola. O Fandango abriu portas para que ele unisse suas viagens e sua música a um trabalho de pesquisa musical e ainda possibilitou que se envolvesse com as crianças e adultos locais para que seus clientes interagissem com eles.
Felipe lançou no início do ano, na Vila Madalena, um CD para um grupo local – chamado Família Neves -, e a festa ocorreu no Ateliê do Gervásio. Agora, a intenção é continuar com os três projetos paralelamente – de produtor, músico e empresário no ramo de turismo. “Quando a gente ia viajar a gente chamava a Família Neves para se apresentar nos shows e foi criando-se uma relação de amizade. Esse ano eu fui gravar outros grupos para um projeto da comunidade do Ariri, que tem vários rabequeiros muito bons, como Seô Zé Pereira, e já estou com um projeto para lançar o CD deste mestre”, explica o produtor.
Neste mês, sua banda lançou o clipe Reciclar Você, veiculado na MTV com festa de lançamento no Centro Cultural Rio Verde. O clipe conta a história de um catador de materiais recicláveis. “Os catadores são responsáveis por 80% do lixo coletado para reciclagem na cidade de São Paulo, temos que valorizar”, afirma, manifestando sua consciência ecológica. Para conhecer um pouquinho mais sobre Felipe Gomide, assista o vídeo com a entrevista onde ele conta como as coisas aconteceram em sua vida. Como diz o jovem, “positividade sempre traz positividade”.
Para saber mais sobre o trabalho da banda Família Gangsters acesse seu site ou seu perfil no Myspace.
A Vila Madalena, por Felipe Gomide
“Minha relação com o bairro é muito forte. É um dos principais locais de efervescência cultural da cidade. Por tocar na Família Gangsters, sempre tive um contato muito forte com a Vila. Começamos tocando em barzinhos menores, como o Fidalga 33, e hoje em dia a gente toca quase toda semana no Zé Presidente, Espaço Urucum, Centro Cultural Rio Verde. Já devo ter tocado em quase todas as casas da região que oferecem música mais alternativa, inclusive no beco do grafite (Praça Aprendiz das Letras), que já foi palco pros Gangsters. Lá, fizemos o festival da ONG Acordem e Progresso. Neste ano, tocamos na primeira edição do Festival do Zé Presidente na praça. A Vila Madalena é o nosso escritório.”
O Familiarismo, por Felipe Gomide
“É o nome com o qual resolvemos batizar esse processo espontâneo da nossa vida. Cada vez mais pessoas se conhecem e formam uma verdadeira família na cidade. Através das viagens e dos shows, rola uma integração muito forte, que busca estimular uma visão feliz e alegre da vida. Também buscamos colocar em prática uma conscientização ecológica, não se apegar a marcas, investir em viagens para ficar acampando com os pescadores durante uma semana. A gente tem esse lado de lembrar a galera que ainda é possível ficar descalço com o pé no chão e cozinhar seu peixe que acabou de pescar, lembrar que a ‘vida simples’ é muito massa e que é importante resgatar essa essência.”
A Ilha do Cardoso, por Felipe Gomide
“Eu sempre fui muito do ‘Rock’n’Roll. Comecei a criar uma paixão pela música tradicional regional brasileira quando descobri, na Ilha do Cardoso, uma manifestação chamada Fandango, que eram os tiozinhos que tocavam rabeca, viola, e eu me apaixonei. A gente chega lá na Ilha e todo mundo nos conhece. Uma das histórias mais bacanas foi quando eles – Família Neves – vieram pra São Paulo e ficaram hospedados em casa. Comeram pizza com meus pais, tomaram banho no chuveiro… E esses dias eu fui pra lá e a gente curtiu um Fandango, tomamos umas catainhas (cataia é a bebida típica do lugar) e, no fim da noite, um dos Fandangueiros veio conversar comigo e começou a chorar dizendo: ‘Felipe, nunca vou me esquecer, sua mãe me recebeu na sua casa, isso foi marcante, só a família. E é a mesma coisa que eu sinto quando vou lá. Quando visitamos a ilha, sempre fazemos campanhas, levamos livros, roupas, fazemos atividades com as crianças e os adultos de lá, como o Bloco do Urucum: levamos um monte de Urucum e pintamos todo mundo, fazemos sorteio dos presentes e é demais! O pessoal que vai conosco acaba pirando mais que as criancinhas, todo mundo pintado, correndo pela Ilha, é uma delícia.”









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