Laerth Motta: Fantasiando e soltando as máscaras

Laerth une colagens e sobreposições em suas instalações.
Laerth Motta é artista visual e conhece a Vila Madalena como poucos. Aos 51 anos, revela que frequenta o bairro desde os 16, quando andava de skate com os amigos e grafitava os muros muito antes de surgirem os renomados becos do Batman e do Aprendiz, hoje conhecidos mundialmente. “Minha relação com a Vila é histórica”, diz o artista, “a gente fazia cartaz, pegava folha de jornal e pintava para depois colar com cola de farinha”, completa o veterano.
Para Laerth, cultura é o diálogo com a informação, em uma relação na qual nossas antenas devem absorver e apurar tudo o que captam. Laerth chegou à sua arte atual por influências, principalmente do grafite. “Um vai e pixa por cima do outro e aí vem outro e cola algo em cima. Eu valorizo muito esse acúmulo de coisas no meu trabalho, seja na pintura ou nas instalações”, explica Motta, “não me preocupo com estilos ou técnicas”. Isso se justifica em suas obras, dotadas de uma variedade de influências e técnicas de colagem e sobreposição de informações. Como o próprio artista comenta, “esse acúmulo de coisas é de enorme valor no trabalho, seja na pintura ou nas instalações. Eu gosto de englobar pintura na instalação”.
| “Eu nasci trabalhando com isso, nunca fiz outra coisa na minha vida. Me inspiro em tudo, não tenho um foco específico, não gosto de pôr muito rótulo. Meu trabalho é um pouco dramático, às vezes não. Tenho uma série recente de autorretratos na webcam num momento que eu tava bastante depressivo. Comecei a me autofotografar e produzi mais de 200 imagens que, depois, trabalhei no computador. Eu vou me fantasiando, soltando as máscaras e fotografando.” (Laerth Motta) |
Hoje, ele busca abrir sua própria galeria de arte e ateliê, mas ainda não possui um planejamento em curto ou longo prazo para isso, é apenas um sonho. Enquanto não chega o dia de concretizá-lo, Laerth revela seus gostos pelas galerias da região da Vila Madalena, como o Instituto Tomie Ohtake, na rua Pedroso de Morais. Contudo, a galeria Choque Cultural – já consolidada e curada também por Mariana Martins, filha de um dos maiores nomes da arte moderna, Aldemir Martins – é a sua preferida. “Tem tanto artista que seria até injusto falar sobre um ou dois, mas ela faz um contato entre grafiteiros e ilustradores e traz muita coisa do Brasil e dos Estados Unidos, principalmente, ela consegue fazer esse intercâmbio”, justifica.
Conheça alguns trabalhos do artista e entenda um pouco mais sobre seu modo de ver o mundo nas imagens desta exposição virtual. Clique nas fotos para ampliá-las.
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