Sábado é dia de “bolacha”

Gustavo Angimahtz em 23/08/11

Uma dica do VilaMundo para quem gosta de vinis. O DJ Ullisses Campbell nos leva para um sábado ensolarado e cheio de música boa.

Imagem: Gustavo Angimahtz

Vinis: obsoletos até pouco tempo, os discos já estão com força total novamente, provando que a moda e a tecnologia são cíclicas.

Quem é que nunca mexeu em caixas velhas dos pais ou mesmo não teve a curiosidade de pegar um disco de vinil na mão? Sentir a textura, as linhas em alto relevo, analisar o desenho do adesivo de centro ou mesmo apreciar a arte da capa – muito mais atrativa do que  a de um CD – é um hobby para colecionadores ou para quem viveu nos anos 50, 60 e 70. Outrora empoeirados, com capas gastas e desbotadas e encontrados apenas em sebos, os LPs voltaram à tona e estão sendo fabricados e lançados por artistas de todo estilo, como Pitty (pop), Ultraje a Rigor (rock) e Dani Turcheto (samba). São vários os atributos que definem a qualidade do áudio: material, espessura, resistência, região e até mesmo o ano de fabricação do objeto.

Convidamos o DJ e jornalista Ullisses Campbell, que toca seus mais de 2 mil vinis na balada Sonique todos os meses,  para guiar-nos por uma trilha na região de Pinheiros. Prepare suas pernas, pois mesmo estando em voga, os melhores lugares para se encontrar vinis merecem uma “pernada”. Mas se dizemos que merecem, é porque fizemos esse trajeto para que você possa tirar o melhor no quesito “bolachas”.

Imagem: Gustavo Angimahtz

Os LPs voltaram com a mania pelo "vintage", e são usados não apenas como mídia, mas também como objetos de decoração.

Segundo Ullisses, as gravadoras voltaram a produzir vinis porque a demanda não só aumentou, como também a qualidade dos materiais foi melhorada. No Brasil, um dos últimos países a parar de fabricá-los, os mais raros datam justamente dos anos finais da produção, entre 1990 e 1995. Foi nesta época que o Brasil ocupou um dos únicos postos de fabricante de vinis, e por isso os que foram produzidos nestes anos são disputadíssimos. Dentre os mais raros estão o do falecido grupo Mamonas Assassinas e o do conjunto Secos e Molhados, do qual fazia parte o cantor Ney Matogrosso. Para ser mais preciso, a capa do conjunto de Ney Matogrosso com as cabeças cortadas servidas à mesa é das mais procuradas, segundo o DJ.

Dono de uma coleção de mais de 2 mil vinis, Ullisses gasta todo o dinheiro que ganha com as bolachas. Como ser DJ é um hobby levado muito a sério, prefere não misturar as rendas que tem e separa o que ganha com jornalismo para pagar as contas e o dinheiro oriundo das noites que toca na balada Sonique, na região do Baixo Augusta, vai todo para o hobby. “Existem vinis de vários materiais, e geralmente as importadas possuem melhor qualidade. Eu sempre compro em sites gringos, mas quando preciso de um dia para outro, existem alguns lugares em São Paulo que você pode encontrar bons vinis importados, mesmo sendo mais caros”, explica.

Os laser discs, uma versão anterior ao CD, de acordo com o DJ, hoje em dia são usados mais como peça de decoração. “Eles são como CDs grandes e a qualidade do som não é tão boa como a dos discos de vinil, que possuem um grave mais definido e mais vibração”, justifica. Além destes, a espessura do vinil também influencia na resistência e, portanto, na qualidade dos mesmos. Quanto mais grosso, mais resistente.

Outro ponto importante são os vinis piratas, que não são um tabu como os CDs ilegais. Vinis piratas são produzidos especialmente para DJs e, geralmente, são singles ou max singles, com três a quatro versões remixadas da mesma música, para que o DJ se divirta nas pickups. Eles são nomeados piratas porque muitas vezes não compensa para a gravadora produzir em larga escala e então são produzidos especialmente para este fim, não caracterizando necessariamente uma atividade ilegal.

Todavia, existem singles originais, de artistas conhecidos como Madonna ou Cindy Lauper. Para saber a diferença basta notar um selo de segurança prateado e um coódigo de barras no produto. Outra característica dos piratas são as capas transparentes e a imagem impressa em todo o vinil, diferente dos clássicos bolachões com um adesivo que se resume a um diâmetro e que ocupa apenas o centro do objeto.

Acompanhe a trajetória que fizemos em um sábado com dicas de lugares para achar coisas boas:

Livraria da Vila
Imagem de Amostra do You Tube

Primeira parada, Vila Madalena. Na Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho, entre a Inácio Pereira da Rocha e a Aspicuelta, você pode encontrar boa sorte de vinis atuais nacionais de qualidade (vídeo). Alguns, como “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, do Ultraje a Rigor, chegam a ultrapassar o preço de R$90. Depois de passar na Livraria da Vila e pesquisar bastante, caminhamos até a rua Henrique Schaumann, onde tomamos um café e fizemos nossa segunda parada.

Benedito Calixto
Imagem de Amostra do You Tube

A Feira de Antiguidades da Praça Benedito Calixto, que acontece aos sábados, também é uma ótima pedida. Aliás, a de melhor custo-benefício. Lá, dezenas de estandes posam seus calhamaços de vinis antigos, que variam entre R$5 e 100, conforme a raridade. Lá os vendedores também compilam vinis em CDs para quem não puder comprar o LP original. Depois de uma boa rodada pela feira, decidimos ir para o destino final e mudar de ares, na rua Augusta.

Rua Augusta
Imagem de Amostra do You Tube

A Rythm Records fica na Galeria Ouro Fino, point de compras da Augusta, ainda do lado de Pinheiros, no sub-distrito batizado de Jardim Paulistano. Logo na entrada, uma loja com duas pickups na vitrine e uma série de aparatos para DJs como cases para vinis e roupas transadas recebem o visitante que procura equipamento profissional. Na loja, podem ser encontrados os tais vinis piratas, originais, singles, max singles, e novidades importadas quentinhas para toda sorte de DJs que buscam ritmos dançantes. Os estilos variam entre o house, hip hop, pop e música eletrônica, e você pode testar as faixas nas pickups com um som de primeiríssima qualidade. Depois desta parada, só nos resta ir pra festa!

Gostou desta notícia?
Assine aqui a newsletter do VilaMundo e receba o melhor da Vila Madalena no seu e-mail.

Notícias Relacionadas

Comentários (2)
Armazém Piola recebe feira de vinis na Vila Madalena « vilamundo 17 de outubro de 2011 às 11:42

[...] VilaMundo fez uma trilha com os locais onde é possível encontrar vinis na Vila, veja aqui. Tags: feira do vinil, kid vinil, locomotiva discos [...]

“DezCapas” mistura design, música e história « vilamundo 26 de outubro de 2011 às 10:33

[...] para você que louco por vinis, o VilaMundo preparou uma trilha sobre o tema pelo bairro. Tags: alessandro ziegler, blog, dezcapas, Lex, Música, rock, vinis, [...]