Aplicativo Cidade Mais Feliz promete registrar insatisfações da população

Gustavo Angimahtz em 05/10/11

A ferramenta deve levar as queixas diretamente às mãos dos governantes.

Imagem: divulgação

Primeira tela do aplicativo, onde o usuário decide ir para o mapa, visualizar seu perfil, ir para sua rede de amigos ou acompanhar as atividades da sua rede.

O projeto brasileiro para o lançamento do aplicativo Cidade Mais Feliz, que irá computar a qualidade de vida dos cidadãos,  já saiu do papel e foi lançado hoje, dia 5 de outubro, no Brasil. O lançamento no idioma inglês no resto do mundo deve acontecer duas semanas depois, e no exterior deverá se chamar “My Fun City”. Além do lançamento em cadeia mundial e de poder ser operada pelo twitter, a ferramenta também servirá sistemas operacionais de Iphone, Tablets e, no futuro, Android.

O avanço e o pioneirismo da empreitada consistem na coleta de dados por rua, bairro, cidade ou estado, permitindo ao dirigente planejar seu plano de atuação através da demanda da população de forma mais objetiva. As informações chegarão ao poder público através de relatórios e gráficos registrando as demandas da população.

Segundo Mauro Motoryn, CEO da agência de publicidade 141 Soho Square e idealizador do aplicativo, “o Cidade Mais Feliz é o primeiro no mundo voltado à participação popular na gestão pública. É a primeira vez no mundo que se tem um aplicativo deste porte criado por brasileiros”.

Conheça o aplicativo Cidade Mais Feliz

Nas telas animadas, que parecem um joguinho online, o usuário vota nas condições da rua e da região em vários aspectos, entre eles transporte público, segurança, educação, meio ambiente, saúde, poluição visual e poluição sonora.

No total, são 12 temas de interesse público que, num segundo momento, são reunidos em grupos para a compilação de gráficos precisos sobre os descontentamentos da população local. Para brincar basta acessar o link do Facebook e criar um usuário e uma senha. Após digitar a rua que deseja avaliar, um mapa aparece e é possível visualizar emoticons que expressam as opiniões de usuários que também votaram na mesma região.

Clique nas imagens para ampliá-las:

Imagem: divulgação

Ao clicar no mapa, é possível ver emoticons que expressam o grau de satisfação de pessoas que já deram suas notas na região.

Uma vez no mapa, ao clicar em "Faça seu Check in", perguntas randômicas aparecem e o usuário dá a nota que lhe convier.

Caso seja de interesse, é possível clicar nos usuários para interagir com eles, formar grupos e até saber o que pensam de outras partes da cidade. Com isso, fica claro o potencial de mobilização civil que a ferramenta carrega consigo.

Também é possível avaliar a região, e para isso é só clicar no botão “Fazer Check In”. Aparecerão 12 perguntas de temas randômicos de interesse público para receber, cada uma, uma nota de 0 a 10. “É um organismo vivo que acompanha a vida da cidade em real time online, ou seja, nós teremos um termômetro permanente da cidade, de extrema utilidade”, comenta indubitavelmente Motoryn. “E a gente acaba com aquela ação absolutamente cruel de participarmos da vida administrativa ou política só nos momentos de eleição. Nós poderemos ter voz e vez na gestão das nossas vidas”, finaliza.

Contornando possíveis problemas

Entretanto, para que o aplicativo funcione efetivamente, é preciso que os dirigentes decidam utilizá-lo como orientador de ações, ou então a ideia morre na praia. Para isso, Motoryn já fez uma parceria com a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), uma organização que reúne todos os prefeitos das capitais do país. Segundo Alexandre Sayad, coordenador de sustentabilidade e responsável pelo desenvolvimento do Cidade Mais Feliz, embora exista a parceria, ainda não há prefeitura que se predispôs a usar o aplicativo. De acordo com Alexandre, “na base de dados ainda não está determinado como a ferramenta será usada com relação às prefeituras”, ou seja, a forma de implementação na rotina do prefeito ainda está sendo desenvolvida.

Imagem: Gustavo Angimahtz

Mauro Motoryn, CEO da 141 Soho e idealizador do Cidade Mais Feliz.

Outra questão que pode surgir na cabeça do usuário durante a operação do projeto é o anonimato. Pelo teste que o VilaMundo fez na ferramenta, é possível identificar os outros cidadãos apenas pelos nomes de usuário. Segundo Sayad, “o que está em jogo é a avaliação da região, e não o cadastro do usuário”, e isso tranquiliza os mais preocupados com discrição.

Ainda referente ao sigilo, Alexandre garante que os dados cadastrados só são armazenados na base de dados, e sequer o e-mail ou o nome do usuário são reunidos ao relatório final que deve ser entregue ao governante. “Antes de começar a eleger as qualidades e defeitos, é só clicar numa chavinha escolhendo dar as notas com ou sem privacidade”, explica Alexandre, “é um recurso que usamos porque a privacidade com relação aos outros usuários é primordial”.

Outra boa aplicação do Cidade Mais Feliz, após sua implementação, será utilizar as informações que ele trará como indicadores qualitativos para pesquisas, instituições de desenvolvimento urbano, fontes para matérias jornalísticas e novas pautas, bem como ferramenta de cobrança em uma eventual mobilização da sociedade.

O estímulo ao engajamento, no entanto, não pode se transformar em um “reclamódromo”. “A gente também tem essa preocupação”, explica Alexandre, “a parceria com a Rede Nossa São Paulo veio para isso, pois eles sabem como fazer as perguntas, como tirar vieses, e com o tempo vamos calibrando para não deixar isso acontecer”. Fernando Len, estagiário de publicidade que acompanha o desenvolvimento do aplicativo e faz a comunicação com as redes sociais ainda comentou a possibilidade de isolar um usuário que só fala negativamente para tornar os dados mais precisos. “Isso também é um sistema que vai sendo aprimorado de acordo com o número de usuários que respondem nessa região”, explica Fernando, estudante de publicidade.

O futuro do projeto

15 dias após o lançamento no Brasil, a versão em inglês, “My Fun City”, será lançada em Newton, Massachussets, EUA. A cidade está localizada próxima a Boston e Harvard e utiliza muitos recursos de medição de qualidade de vida, além de ser muito habitada por acadêmicos devido à proximidade com as renomadas universidades próximas.

Sobre os próximos planos de crescimento do aplicativo, Mauro Motoryn se revela um visionário: “As pessoas poderão fazer uploads de fotos, informações e filmes. Nesse primeiro momento, é evidente que ela virá dentro do Facebook, e nós esperamos obter o mesmo sucesso não só aqui no Brasil como em outros países”, conclui o diretor da agência.

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Comentários (4)
Walter Francisco da Silva Junior 5 de outubro de 2011 às 15:29

Muito boa a ideia do Mauro Motoryn e equipe! Como Administrador Público e Assessor Jurídico da Prefeitura de São Paulo e agente ativo na melhoria da cidade há 21 anos, desejo que essa iniciativa seja um caminho sem volta, propiciando o engajamento do cidadão da forma mais efetiva possível para o bem local e regional. Parabéns Mauro e a todos da equipe!

NomeRicardo Corona 6 de outubro de 2011 às 16:42

Fantástico ! ! Esse site de relacionamento público. Quem adora e ama onde vive pode demonstrar suas satisfações e insatisfações. Isto vai virar “case” de administração pública. Para melhorar ainda no site, pode ainda criar um local para anexos e publicar fotografias dos locais avaliados.
Ricardo Corona – Administrador – Cursou Gerente de Cidade – FAAP Campus Ribeirão Preto 2009

Aplicativo Cidade Mais Feliz promete registrar insatisfações da população « Catraca Livre 6 de outubro de 2011 às 17:14

[...] a matéria na íntegra no site Vila Mundo. Tags: Cidade Mais Feliz, Facebook, Vila Mundo Compartilhe e [...]

Gustavo Angimahtz 6 de outubro de 2011 às 18:16

Agradecemos seus elogios, Ricardo! Espero que volte sempre para deixar suas impressões e descobrir o que a Vila Madalena apronta de novo a cada dia.