O chapeleiro maluco da Vila Madalena

da Redação em 07/10/11

Do JcNet
Por Juliana Fadul

Quando decidiu largar a faculdade de engenharia, o paulistano Durval Sampaio quase matou a mãe do coração. Na tentativa de trabalhar com algo mais formal, até que tentou se encontrar no ramo de automação industrial. Contudo, viu que aquilo não atendia à sua vontade de conhecer pessoas.

Du, como ficou conhecido na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, sempre curtiu bater um bom papo. E rasgar peças de roupas para fazer chapéus era apenas um hobby. Na tentativa de unir seus dois prazeres, Durval decidiu montar a chapelaria E-Holic. Com uma charmosa máquina de costura no quintal, o point se tornou reduto de moderninhos.

Como você começou a fazer chapéu?

Durval Sampaio – Comecei aos 7 anos. Minha cabeça é muito grande, então quando usava boné ficava apertado, sobrando cabelo. O primeiro chapéu que fiz foi uma touca. Mas a primeira peça que eu realmente fiz foi uma cartola. Eu sempre gostei de cartolas.

O que você fazia antes de virar chapeleiro?

Sampaio – Cheguei a cursar dois dias da faculdade de engenharia, mas não podia trabalhar em alguma coisa só para ganhar dinheiro. Depois fui trabalhar com automação industrial. Até que eu ganhava uma grana boa, mas vi que não era aquilo que eu queria. Tomei essa decisão de um dia para o outro. Tinha que gostar. Aí descobri que fazer chapéu era um trampolim para conhecer pessoas legais.

Foi fácil para os seus pais aceitarem a ideia de largar a faculdade para fazer chapéu?

Sampaio – Minha mãe demorou um ano para assimilar a ideia. Mas mãe é mãe. Ela está do meu lado para tudo. Agora, ela é meu braço direito aqui na loja. Ela faz tudo, menos chapéu.

E por que você não fez moda ou algo em torno desse universo?

Sampaio – Acho que esses cursos inibem um pouco a criação. Vejo as revistas “Elle”, a “Vogue” ditando cartela de cores. Não quero ficar obrigado a me regrar em nada! É a música que me cospe a ideia. Eu só faço o que a música me manda.

Você é apaixonado por música? Que estilos você mais gosta?

Sampaio – Gosto muito de MPB e indie rock, mas, agora, estou numa fase mais jazz. Na verdade, eu gosto de tudo. Só pagode e sertanejo que não sou muito fã, não.

Já tentou tocar algum tipo de instrumento?

Sampaio – Já, vários. Tentei sopro, corda. Mas não tenho coordenação alguma. Só para costurar mesmo.

E como é o seu processo de criação das peças?

Sampaio – Eu boto uma música e ela me fala a estampa. Mas eu gosto mesmo de fazer conversando com alguém. Adoro conversar e conhecer pessoas. O pessoal vai chegando, conversando. Eu já cheguei a hospedar gente aqui. Teve um dia que ficamos conversando até tarde. Quando deu 9h30 da manhã, minha mãe chegou, ficou na loja e eu fui dormir. Na verdade, o meu trampo é conhecer gente.

Você sempre quis ter loja na Vila Madalena?

Sampaio – Não, antes minha loja era meu carro. Só que chapéu amassa muito fácil e eu também sentia falta de um “ambiente chapéu”. Então decidi alugar um espaço. Quando vi aqui achei sensacional. Mas hoje não ficaria aqui. Tem muito barulho, passa muito busão e isso mata o processo criativo.

Você tem ideia de quantas peças já confeccionou?

Sampaio – Eu tenho um arquivo com 6 mil nomes. Mas deve ser algo em torno de 7 mil. Eu costuro todo o dia. Hoje fiz oito peças. Mas não gosto quando fica muito automático. Gosto de fazer peças únicas.

As pessoas hoje em dia não usam muito chapéu. Por que isso?

Sampaio – As pessoas têm vergonha de ir à padaria com uma cartola. Mas a sensação é ótima. O chapéu permite mudar a sua personalidade e te levar a um outro mundo. Acho que todo mundo devia experimentar ser um chapeleiro maluco por um dia.

Serviço

Chapelaria E-Holic – Rua Fradique Coutinho, 1399, Vila Madalena. Telefone: (11)3853-0420.

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Comentários (2)
rosy krupp 12 de outubro de 2011 às 13:05

amo a obra e arte desse artista

Nome debora 8 de março de 2013 às 23:55

Du, amei sua participação no programa cancer de mama. É otimo ver um jovem se dedicar a algo com tanta sensibilidade. Deixei este recado aqui porque não queria deixar passar a oportunidade de te parebenizar.

Bjs – débora