Museu da Pessoa tem área para histórias da Vila Madalena

O Museu Aberto é o espaço físico interativo do Museu, que sempre apresenta exposições itinerantes.
Há alguns anos, mais precisamente desde a década de 80, uma ideia original da historiadora Karen Worcman fez surgir uma nova modalidade de museu. Partindo de uma evolução do princípio freiriano de educação informal – na qual o conhecimento é transmitido através da relação entre as pessoas -, Karen decidiu reunir histórias de vida em acervo. Com o advento da internet, o que era para ser um museu virtual de histórias de vida acabou ganhando uma poderosa arma para a proliferação de seus valores, de que a memória social de uma pessoa ou de uma comunidade deve ser preservada. A ideia funcionou e se expandiu, e hoje o Museu da Pessoa atua em todo o mundo através de redes e parceiros.
Memórias da Vila Madalena
Um dos braços de atuação do Museu da Pessoa é o projeto Memórias da Vila Madalena, que conta a história do bairro através de relatos das histórias de vida das pessoas. São moradores, trabalhadores ou pessoas que possuem informações que contribuem com a memória do bairro. Detalhes individuais expõem as transformações pelas quais ele passou ao longo do tempo.
Entre as histórias, contadas por personagens diversos, estão a do artista plástico Jorge Luiz Gomes da Silva, mais conhecido como D’Ollinda. Ele conta um episódio em que, recém-migrado para São Paulo, conseguiu uma carona com uma Kombi que entregava jornal na região, mostrando assim os traços de solidariedade presentes no bairro. Outra história interessante é a do empresário baiano Nonato de Souza Veiga, que veio para a Vila e abriu o bar Sujinho, um dos mais tradicionais. No site, é possível ler a história de como tudo aconteceu, ele explica inclusive como surgiu esse nome curioso.
Em breve, o VilaMundo entrará em contato com alguns dos depoentes do projeto para saber como continuaram as histórias de suas vidas e do bairro.
A história do Museu da Pessoa
A ideia surgiu nos anos 80, mas a instituição só nasceu em 1991, há exatamente 20 anos. No princípio, era apenas uma maneira diferente de fazer história e de construir uma memória coletiva. Assim, cada pessoa tem a oportunidade de, por um lado, preservar sua própria história, e por outro ser um bloco construtor dessa grande narrativa.
“É uma forma de desenvolver o respeito pelos outros. De que outra maneira conseguiríamos ter determinadas informações que, na realidade, vêm das experiências de cada um?”, questiona Karen Worcman, fundadora e diretora-presidente do Museu da Pessoa, em entrevista exclusiva ao VilaMundo.
Logo nos primeiros anos de atuação do Museu, Karen constatou que a melhor maneira de fazer o acervo existir e se abastecer seria usando a história das pessoas para fazer tanto a memória de lugares quanto de pessoas. O primeiro grande projeto foi registrar as memórias do São Paulo Futebol Clube.
A história das instituições que o Museu capta é construída através do depoimento das pessoas envolvidas direta e indiretamente com o lugar a ser descrito. Os depoentes contam experiências e impressões vividas sobre o local em questão e todos os relatos são então reunidos em um portal independente.
Depois do SPFC, veio o Sesc e o Senac, também com propostas de registrar as histórias de vida de seus colaboradores, e por fim o Museu passou a prestar esse serviço para grandes empresas, como a Votorantim.

A diretora-presidente Karen Worcman posa ao lado das placas com trechos interessantes de histórias oriundas de várias partes do mundo.
Com a receita do sucesso da empreitada em mãos – a memória social resgatada em forma de histórias de vida – o Museu da Pessoa passou a explorar diversos produtos e projetos temáticos, como o já citado projeto Memórias da Vila Madalena, até entrar em mais uma etapa de ampliação. “Lá pelos dias de 2000, a gente percebeu que tinha uma coisa muito poderosa no Museu: a metodologia. Daí nasceu toda a área de educação, que é muito grande, a chamada Formação”, conta Karen.
A primeira ação foi em conjunto com o Instituto Avisa Lá, uma ONG de formação de pessoas. “A gente usava a história oral para impulsionar a leitura e a escrita”, relata a diretora-presidente.
Hoje, o Museu possui um programa que trabalha em mais de 40 cidades do país, e inclusive já fez parcerias com a Unesco, a nível nacional e municipal.

Nas escadas da sede, um painel que conta a trajetória e o crescimento do Museu da Pessoa até os dias de hoje.
No final da década passada, perto de 2007, o Museu também passou a operar em rede – identificando, reunindo e compartilhando ideias similares para um melhor aproveitamento do trabalho -, com um programa intitulado Brasil Memória em Rede (BMR). Dessa forma, também foi possível conectar iniciativas similares e ampliar as ideias de memória. Também se iniciou o projeto Um Milhão de Histórias de Jovens, cujo nome é autoexplicativo e as campanhas como a do Dia Internacional de Histórias de Vidas.
Hoje, o Museu está em uma fase mais voltada para a reorganização e reestruturação de todo o acervo, além da reformulação do site. “A gente está fazendo um novo Museu virtual, pra fortalecer a ideia do Museu em si, independente de todos esses braços”, finaliza Karen.
Quero contar minha história, como eu faço?
Qualquer pessoa pode contar sua(s) história(s) de vida no Museu da Pessoa. Basta querer. As captações são feitas em todos os tipos de plataformas, digitais ou não. Uma das formas de você registrar é acessando o site do Museu da Pessoa e depois a área “Conte Sua História”. Lá, você pode enviar um áudio, um vídeo ou escrever o que quiser.
Caso você queira ir até o museu para gravar, também pode, e é de graça! Basta ligar para (11) 2144-7150 ou enviar um e-mail para portal@museudapessoa.net e marcar um horário. Na sede, uma pessoa te auxiliará a contar a sua história através de uma entrevista. O endereço é rua Natingui, 1.100, Alto de Pinheiros.
Se você não pode ir ao Museu, ele também vai até você. Sazonalmente, o Museu da Pessoa promove campanhas de contações de histórias de vida e registro de memórias Brasil afora por meio de uma cabine. A cabine possui estrutura para registrar histórias rápidas. Fique de olho no site para saber se ela vai passar perto de você.

O visitante do Museu da Pessoa pode agendar gratuitamente um horário para registrar e preservar suas histórias de vida. O registro pode ser em vídeo, áudio ou texto.
















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