Grupo se reúne para debater a construção de um Plano de Bairro para a Vila Madalena
Na noite de terça-feira (7/8), na Associação Casa da Cidade, ocorreu a primeira reunião para discutir a criação de um Plano de Bairro da Vila Madalena.

Gustavo Freiberg e Otávio Zarvos fazem a abertura da reunião.
Cerca de 100 pessoas estiveram presentes. Entre eles, representantes da UBS Manuel Joaquim Pera, do grupo Moradores de Pinheiros contra a verticalização do bairro, da AMadá – Associação de Moradores e Amigos do Sumarezinho, Vila Madalena e Região, do Centro Cultural Vila Madalena, entre outros.
O Plano é um instrumento urbano de escala local, previsto pela Lei Municipal de 2004, que analisa as necessidades e potencialidades do bairro. Entre outras medidas, ele pode propor: a complementação da infra-estrutura básica (redes de água, esgoto, drenagem e de iluminação pública); a implantação de equipamentos sociais; soluções de controle de tráfego; melhoria das condições de circulação dos pedestres; requalificação das calçadas; medidas de limpeza, arborização e jardinagem de praças e ruas; melhorias na coleta de lixo, além de coleta seletiva; medidas para melhorar a segurança pública; etc.
Além disso, sua elaboração pressupõe a participação da comunidade local.
A Vila que temos x A Vila que queremos
“Estamos inaugurando um processo participativo e democrático em São Paulo”, disse Gustavo Freiberg, coordenador da Casa da Cidade, durante a abertura do evento.
Em seguida, os arquitetos Otávio Zarvos e Anna Dietzsch apresentaram um diagnóstico dos problemas do bairro e possíveis soluções como alternativa ao tombamento. O estudo, elaborado em parceria entre a incorporadora Idea!Zarvos e o escritório de arquitetura Davis Brody Bond buscou manter as características mais importantes da Vila Madalena, como a diversidade das pessoas que moram, trabalham, transitam pela região, a essência de um bairro de encontros e, por fim, o fato de ser um local para onde convergem inovação e criatividade.
O bairro da Vila Madalena é administrado pela Subprefeitura de Pinheiros, órgão responsável pelos distritos Alto de Pinheiros, Itaim Bibi, Jardim Paulista e Pinheiros. Clique na foto ao lado e confira a definição do perímetro da Vila Madalena usado para o estudo.

Àrea do perímetro de aproximadamente 1.842.626 m².
Confira um especial com matérias do VilaMundo sobre o Plano de Bairro.
Um dos resultados da pesquisa apontou que a Vila Madalena tem apenas 1/4 da área verde recomendado pela ONU – Organização das Nações Unidas. A proposta é que se pense em um esquema de compensação por parte de quem constrói, assim como já ocorre em cidades como Chicago e Nova York.
Com relação aos transportes e ao trânsito, concluiu-se que o tamanho dos ônibus e a largura das ruas são incompatíveis. Para este problema, a solução seria a implantação de micro-ônibus e a criação de estacionamentos no subsolo de edifícios residenciais. A ideia é que os prédios construam um pavimento de garagem que possa ser comercializado, aliviando as ruas. Já as pequenas ruelas, tão conhecidas na Vila e tão degradadas, poderiam virar calçadões para pedrestres.
O estudo propõe também o incentivo à indústria criativa com a implantação de Hubs, através de incentivos fiscais. Isso estimularia que profissionais compartilhassem escritórios e, quem sabe, projetos, como vem ocorrendo em algumas partes do mundo.
A opinião de quem mora

A Vila que queremos
“A gente está vivendo um pesadelo. Fico dois meses sem andar por uma rua e quando volto tudo está mudado. Isso está me tocando enquanto artista.”
Biba, que mora em umas das casas mais antigas da Vila Madalena.
“Não podemos nos deixar levar pelo aspecto lúdico. Precisamos pensar de forma mais prática. Não concordo com o tombamento porque no futuro os moradores não poderão fazer mais nada com suas casas.”
Renato Oliva, morador do bairro há mais de 50 anos.
“Acho que deve existir limite de horário de funcionamento para estabelecimentos que operem em áreas residenciais.”
João, membro do Conselho de Saúde da UBS – Unidade Básica de Saúde.
“Temos que pensar no âmbito da administração pública. A administração dessa cidade está na mão do mercado imobiliário, na mão do Secovi [Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo]. Além do mais, todas as obras que estão sendo feitas aqui são irregulares.”
Eduardo Abramovay, integrante do Movimento Moradores de Pinheiros contra a verticalização.
Encaminhamentos
Aguarde mais informações no VilaMundo. Em breve, estará disponível no site o estudo do bairro feito pela Davis Brody Bond.
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