A Vila Madalena pelos olhos de quem viu as transformações do bairro

Lidi Ferreira em 13/07/16

Como qualquer outro bairro de qualquer outra cidade do mundo, a Vila Madalena vai se transformando com o passar dos anos.

E quem acompanhou – e continua vivendo – todas essas mudanças pode nos contar quais as principais diferenças entre o ontem e o hoje da Vila. Pensando  nisso, convidamos alguns moradores que estão por aqui há mais de 30 anos para nos dizer o que acham que mais mudou no bairro.

Apesar de nem todas as transformações serem positivas aos olhos dos moradores, em todos os depoimentos uma afirmação é comum: não saímos da Vila por nada.

Confira:

Nelson Da Costa Pereira, 63 anos de vida e de Vila

Nasci na rua Purpurina, em 1953, e hoje eu moro na Harmonia.

O que mais me marcou foi a passagem de ser um bairro estritamente residencial para um comercial. A Vila era mais simplesinha. Compravam 20 casas de uma vez só e iam subindo aqueles prédios todos.

É um bairro alegre, colorido, bacana. As pessoas dizem que a Vila Madalena parece um boteco a céu aberto, mas não é verdade. A principais características são os restaurantes, o variado tipo de comércio, as padarias, a comida, e não só bebida e boteco, tem muito mais coisa.

Essa ocupação dos bares grandes é que incomoda um pouco a gente, sabe? O pessoal extrapolou…

Mas eu não trocaria aqui, sabe por que? Eu nasci aqui, criei meus filhos aqui, me casei duas vezes aqui,  e não saio porque sei que não me habituaria a nenhum outro lugar!

Dona Maria Dos Anjos de Oliveira, 72 anos de vida e de Vila

Ah, nossa, para nós mudou tudo! Não tinha nada, era tudo de terra. Meu pai tinha açougue na rua  Girassol e meu tio, um bar. Minhas tias moravam na frente da minha casa aqui na Purpurina…e hoje é só prédio, bares, restaurante, mudou muito aqui!

Em certos pontos piorou … o sossego que a gente tinha, conhecíamos todo mundo, e hoje ficamos com mais receio das coisas, né? Nós tínhamos aquele ambiente de família, de moradores conhecidos.

Tem os bares, e eles exageraram, porque querem tomar conta das nossas calçadas. É raro o domingo que não tem garrafa e xixi na nossa porta.

Mas tem a parte boa (risos). Eu não trocaria aqui por nenhum outro bairro, eu adoro meu lugar! Tem tudo perto. Na minha casa eu não tenho portão alto, e somos como uma família com os vizinhos. Então, o meu lugar eu acho maravilhoso! Por incrível que pareca, a gente ama aqui!


Diego Ramos, 38 anos de vida e Vila

Meus pais moram na rua Madalena, e faz oito anos que moro na Harmonia, numa casa de 1940 que era dos meus avós.

Acho que o que mais me surpreende ainda é o crescimento dos prédios no bairro. Acho que também a Vila tinha essa coisa de todo mundo se conhecer, e hoje é quase que impossível. Mas eu procuro estar sempre em contato com os vizinhos, a ouvir o que acham, o que podemos juntos melhorar no bairro.

Desde 2011 a gente planta pelas ruas da Vila, eu tenho dois projetos: Orquídeas na Vila e Flores no Cimento – os projetos já plantaram pelas ruas da Vila Madalena mais de 4 mil arranjos de flores. Começamos a fazer isso para humanizar mais um pouco a cidade, sabe?

Eu acho que depois que comecei, conseguimos trazer algumas pessoas para as ruas para cuidar de um lugar que é comum. Vejo que quando os moradores entendem o que queremos com os projetos, passam a cuidar mais do bairro.

Se eu pudesse mudar alguma coisa aqui…. seria fazer com que os moradores ocupassem melhor o bairro em que moram, voltassem a conviver na rua, e a olharem para o outro com curiosidade para saber quem ele é, o que faz….

Mas aqui é o o meu lugar, é a minha casa. Faço do bairro a minha casa, de verdade!



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