Veja quem são as mulheres por trás da arte urbana de São Paulo

Lidi Ferreira em 11/07/16

Talvez você não saiba, mas muitos muros aqui em São Paulo foram grafitados por mulheres. Beco do Batman, 23 de Maio, enfim, com certeza você já passou por alguma obra com assinatura feminina e nem se deu conta.

Agora é sua chance de se redimir. O VilaMundo abriu espaço para seis representantes do girl power no cenário da arte urbana paulistana. A seguir, elas relatam suas histórias de vida e arte. Para conhecê-las melhor, dá um scroll e vem com a gente.

Yara Fulni-ô Amaral

A escola da Vila
Cresci com o graffiti da Vila Madalena, que é o berço do graffiti de São Paulo. Desde pequena acompanho esses artistas da primeira geração. Não tinha muita noção e os via pintando e achava bacana, e depois me interessei mais porque me aproximei dos movimentos hip hop e punk.

Arte para todos
Eu comecei a pintar em 2003, na rua. A minha motivação maior era a democratização da arte. Comecei aprendendo graffiti para ensinar as crianças em troca da bolsa de estudos, e tudo por meio da Cidade Escola Aprendiz (ONG situada na Vila Madalena). Foi lá que entrei em contato com as meninas que depois se tornaram meu coletivo, As Noturnas.

Inspiração e recomeço
Minha maior inspiração foi a maternidade, com mulheres grávidas, mulheres cuidando de seus filhos. Elas tinham a pele vermelha por causa da minha descendência indígena.


Elas se transmutaram para plantas, e observei que eram plantas que faziam parte da minha infância, como a helicônia, que se tornou uma marca. Eu passei a trabalhar e pesquisar outras flores na mata nativa brasileira, e trouxe isso para rua, buscando novos valores ao resgatar a nossa ancestralidade indígena.

Nessa época eu entrei em contato com a aldeia indígena da minha bisavó. Agora acabei de mudar para essa aldeia, que fica em Águas Belas, Pernambuco.

Saiba mais sobre o trabalho de Yara pelo Facebook e Instagram.

Mag Magrela

O começo
Sempre tive contato com as artes plásticas, meu pai pintava telas, e eu sempre desenhei. Mas somente em 2007, as ruas serviram de base para meus desenhos acumulados em cadernos. Desde então meus trabalhos podem ser encontrados principalmente nas ruas de São Paulo, mas também em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Portugal, Londres e Nova York.


Em casa
Tenho um grande carinho pela Vila Madalena, pois nasci e cresci no bairro. É o lugar onde volto pra casa. O que mais gosto nele são as praças, os cafés, as ladeiras e o pôr do sol.


Produção e inspiração
Sinto que represento o estilo do graffiti brasileiro, que usa da intuição e intensa criatividade nas produções. Além dos muros nas ruas, também uso o suporte de telas, escultura em argila, assemblagens e performance. Me inspiro na euforia urbana de São Paulo para transitar por temas que falam sobre a mistura da cultura brasileira: a fé, o profano, o ancestral, a batalha do dia a dia, a resistência, a busca pelo ganha-pão, o feminino.


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Katia Suzue
Comecei no Graffiti em 2005. Nesse mesmo ano ingressei na universidade e cursei Educação Artística, fui bolsista de iniciação científica no ano seguinte e desde então não parei de estudar e ensinar arte.


Japão x Brasil
Antes disso vivi um tempo no Japão. Lá estudei pintura e me apaixonei pela arte. Tive um casal de professores que foram incríveis comigo e me incentivaram a voltar ao Brasil e retomar os estudos. Desde então minha vida adulta foi cercada de arte. Sou casada com um artista e vivo do meu trabalho.

2015
No ano passado completaram-se 10 anos na minha jornada do graffiti e me senti consagrada, pois em 2015 fui curadora do Dia do Graffiti, autora do texto curatorial que homenageia as mulheres no graffiti; pintei nos arcos da Jânio em São Paulo e na Avenida 23 de Maio no maior painel de graffiti já realizado na cidade; tive minha obra exposta na 3ª Bienal Internacional de graffiti Fine Art e no Museu da Imagem e do Som. Também fui campeã na Batalha do Graffiti Show 2015 , além de realizar o sonho de pintar um prédio.


2016
Esse ano muita coisa legal já aconteceu: abri o ano com um workshop de graffiti no Parede Viva que fica aí na Vila Madalena. Pintei na sede do Green Peace (também localizada na Vila Madalena) para a exposição Por um Tapajós Livre.


No caminho, a Vila Madalena
Atualmente estou com uma obra em exposição na coletiva Yokoso, que fica até o final desse mês na Galeria A7ma, também na Vila. Gosto muito de realizar ações na Vila Madalena, sempre tive carinho e um bom relacionamento com o bairro e acho que ele sente o mesmo por mim, já que sempre tenho a chance de estar fazendo algo por aí.

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Ju Violeta

Paixões
Desde pequena o desenho, a pintura, as atividades manuais me acompanham nos estudos: fiz cursos técnicos de moda, decoração, cursos livres de desenho, pintura e mais uma das minhas paixões que é jardinagem e paisagismo.


Quando tudo começou
Em 2004 comecei a grafitar e essa foi a entrada para possibilidades artísticas profissionais, fazendo murais, participando de exposições coletivas.

Vila tudo
A Vila Madalena é um polo artístico forte. Tive oportunidade de participar de projetos, de fazer exposições na Galeria da Vila (no caso Galeria A7Ma). O melhor de tudo é ver muita arte, ter contato com outros artistas, seja na arte plástica, fotografia, design, música, culinária, moda, etc.

Criatividade
Penso que minha verdadeira essência criativa se tornou mais forte quando uni as duas maiores paixões: a arte e a natureza. Sou vegana, tenho como princípio a proteção animal e a militância em tudo que engloba um meio de vida mais harmonioso para todos. Essa é a força maior da minha arte, é minha essência. Realizo essas ideias no graffiti, na arte plástica como pintura, esculturas e assemblagens.


Olhares
Faço parte também da Urban Walls Brasil, que leva nossa arte para os EUA. Estou com muitas ideias novas e inspirações em obras ou em graffitis de forma livre. Busco por peças que tenham uma história, que despertem uma memória. Ter elas como o objeto inicial de um projeto ou ser parte dele é gratificante. Quando encontro um local abandonado para pintar, para fazer um graffiti, é como levar um novo olhar para algo que foi descartado.

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Fefe Talavera

Vida e arte
Comecei a pintar em tela com 16 anos, e na rua aos 21, me inspirei na cultura mexicana, em artesanatos chamados “alebrijes”.


Mundo afora
Participei em exposições coletivas e individuais, entre elas, as mais importantes foram: Coletiva na Galeria Fortes Vilaça, Coletiva em NY na galeria Jonathan Levine, Exposição em Washington no World Bank, Coletiva na feira de arte em Basel e Mural no Deutsche Bank.


Representatividade
Acho a Vila Madalena um bairro que representa bastante o artista e o graffiti, representa o lado mais despojado de São Paulo, onde se pode visitar sem se sentir deslocado.

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Lygia Lee

Parceria
Já trabalhei com cenografia e design gráfico, e há quase 12 anos toco o projeto Alto*Contraste junto com o Lou Dedubiani, que é meu parceiro não só no projeto, mas na vida – somos casados e temos dois filhos lindos. Levamos uma vida meio mambembe.


A técnica
A escolha do stencil se deu porque ele permite a criação em dupla com participação de nós dois durante todo o processo e também pela nossa paixão pela fotografia e pela estética seca e gráfica. E a temática do trabalho gira em torno das relações humanas, no que elas têm de mais estranho e belo. Nos apoiamos nos arquétipos, representados nas cabeças de animais.


Abraço de urso
O urso é um personagem que se impôs na minha obra….gosto porque tem esse lado “fofo”. E por outro lado é um dos bichos mais selvagens e ferozes da natureza. Abraço de urso, né?


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